"acordei e te fiz um hai-kai." bilhete ao lado da cama. a rita se levantou e, num outro bilhete, este grudado no espelho da sala, lá estava o poemeto anunciado. algo a ver com devaneios matutinos e uma criança que se balançava num dos cachos do cabelo da rita. na porta da geladeira, um juramento: "prometo ser sempre vulgar e nunca indiferente" – este fruto de uma noite em que o pudor se perdeu. pelo corredor até o banheiro, post-its de várias cores lembravam canções, quase sempre versos citando sóis e mundos que girariam em torno deles. era uma casa de papéis e convites. "quer dançar comigo?" "quer casar comigo?" "quer ser a avó dos meus netos?" fazia tempo, tanto tempo já, e os fragmentos continuavam ali, colados na parede, uma parede feita de alma e memórias. era agora uma casa imaterial de papéis, desconvites e fotografias quase desbotadas, apesar dos risos frescos estampados. "don't ever ask me why, I never say goodbye to my love" – a música tocava, sem sentido algum. havia chegado o dia da faxina, da mudança, de derrubar paredes. a rita nem sabia por onde começar.
2 comentários:
faxinar é dificil, pode levar muito tempo até esta tudo limpo e brilhando. Mais se faz nescessário as veses, para retomar um outro caminho, e quem sabe ser mais feliz com as novas escolhas.
a rita acha difícil. talvez porque ela mesma seja a personagem cotidiana mais difícil. mas, como diria vovó... comer e coçar e, incluo eu, faxinar é só começar. ;o)
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