quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sobre bípedes e quadrúpedes

todos dias, os noticiários reafirmam o processo de falência da raça humana. a última: o pai que agrediu o filho de dois meses porque ouviu 'vozes do mal' [e agora a criança tem suspeita de morte cerebral]. a penúltima: o homem que jogou uma cachorrinha indefesa do alto de um viaduto na linha do trem. a antepenúltima: o jovem que matou o roommate porque este pediu para que aquele abaixasse o volume da televisão. e por aí vai... uma lista sem fim de maldades diárias, desmandos, falta de comprometimento, de caráter, de... HUMANIDADE*. o que sai nos jornais não é um décimo do que acontece na vida aí fora dos nossos apartamentos com playground, nossos escritórios com ar condicionado, nosso encontros com amigos.

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eu gosto mais dos animais de quatro patas do que dos bípedes que estão[mos] no topo da cadeia alimentar. aí me falam: "mas existem cachorros que atacam os donos" sim, existem, mas até esses só o fazem quando ameaçados, treinados ou incitados a isso. pitboys são o problema, não os pitbulls. não dá par ser pollyana e cantar we are the world, we are the children e achar que ok, tudo certo enquanto eu e os meus estiverem vivos e minimamente tocados pelo mal. eu gosto muito de pessoas, mas das minhas pessoas, que são poucas, mas ótimas. #prontofalei

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bípedes que eu adoraria ter na convivência tête-à-tête [porque na literária-musical-poética-estética já tenho]: Fante, Bukowski, Garcia Márquez, Bresson, Man Ray, Picasso, Klimt [que amava gatos], Ferreira Gullar [que ama gatos], Matisse, Da Vinci, Einstein, Hitchcock, Rita Lee, Eddie Vedder, Almodóvar, Woody Allen [alguém mais neurótico do que você é extremamente importante de se ter por perto].

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outro ponto de debate básico no meu momento entrevistada-do-Roda-Viva-da-vida-real: "é, mas no dia que você tiver um filho, você vai ter que sumir com seus cachorros e gatos..." não, não vou. até hoje eu não entendi qual é a relação problemática entre animais e crianças. tenho muitos bichos? sim. muitos e uma casa enorme na qual cabem muito bem todos eles, as plantas e humanos e ainda sobra espaço para receber os amigos. eu fui criada assim e, modéstia às favas, sou um dos humanos mais legais que eu conheço, mesmo com [ou talvez justamente por] meus defeitos.

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sobre a reprodução humana: particularmente, não tenho essa vaidade de colocar no mundo um ser com a minha carga genética somada à do pai da criança. se acontecer, ótimo. mas, verdade-verdadeira, eu me sentiria muito mais útil no mundo adotando uma pessoinha que já foi gerada e abandonada pelos seus "humanos". não que gestação exclua adoção e vice-versa.

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eu gosto do meu way of life. me deixem.

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* nota mental: reescrever a definição de "humanidade" que consta nos dicionários. "sentimento de clemência de homem para homem"? "benevolência"? aham, Claudia.

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